Archive for Educação

Hoje – um pouco de reflexão


No tempo da minha infância
(Ismael Gaião)

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Bebi leite ao natural
Da minha vaca Quitéria
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria

A barriga da miséria
Tirei com tranquilidade
Do pão com manteiga e queijo
Hoje só resta a saudade
A vida ficou sem graça
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração

Com a modernização
Quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido
Fazendo tudo que eu fiz
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

Vi o meu pai dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag
Sem cinto de segurança
E eu no banco de trás
Solto, igualzinho aos demais
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança
Por ter sido reprovado
Ninguém ia ao psicólogo
Nem se ficava frustrado
Quando isso acontecia
A gente só repetia
Até que fosse aprovado

Não tinha superdotado
Nem a tal dislexia
E a hiperatividade
É coisa que não se via
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira
E essa água engarrafada
Que diz-se esterilizada
Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos
E descalço, na areia
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé
Gata Pintada, Esta Rua
Pai Francisco e De Marré
Também cantei Tororó
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia
Não tinha vídeo cassete
Muito menos internet
Como se tem hoje em dia

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço
Não existia ração
Nem brinquedo feito osso
E para as pulgas matar
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira
Ou numa água bem fria
Debaixo duma torneira
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

Comecei a trabalhar
Com oito anos de idade
Pois o meu pai me mostrava
Que pra ter dignidade
O trabalho era importante
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade

Mas hoje a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez…

 

e tenha um bom dia…

A Educação começa em CASA, na FAMÍLIA


PAIS BRILHANTES

É bastante comum as pessoas justificarem os seus erros, invocando suas precárias condições de vida. Dizem que foi o desespero que as levou a tomar atitudes equivocadas ou que circunstâncias negativas as fizeram agredir o seu semelhante ou suas propriedades.
Filhos agridem pais porque eles não lhes deram o que pediram, no momento exato em que o fizeram. Irmãos que mentem, enganam para ter um quinhão maior em heranças, não se importando em que condições ficarão os demais irmãos.
Viktor Frankl, um judeu vienense, que foi prisioneiro dos alemães, durante a segunda guerra mundial, escreveu: Nós que vivemos em campos de concentração podemos lembrar dos homens que andavam pelos alojamentos confortando os outros, distribuindo seus últimos pedaços de pão.
Talvez eles tenham sido poucos. Mas são prova suficiente de que tudo pode ser retirado de um homem. Menos uma coisa, a última das liberdades humanas – escolher que atitude tomar em quaisquer circunstâncias, escolher o seu próprio caminho.
Portanto, escolher o bem ou o mal compete a cada um. O que nos falta, sim, é uma melhor educação. Não essa educação que se aprende nos livros. Mas aquela que tem a ver com a formação do caráter da criatura.

E para isso precisamos urgentemente, de pais conscientes que ensinem verdadeiros valores a seus filhos. Que lhes digam que é nobre dizer a verdade, mesmo que isso não os credencie a receber algum prémio ou compensação.
Pais que tenham coragem de falar aos seus filhos sobre os dias mais tristes das suas vidas. Que tenham a ousadia de contar sobre as suas dificuldades do passado e como as conseguiram vencer.
Pais que não desejem dar o mundo aos seus filhos, mas que queiram sim lhes abrir o livro da vida. Pais presentes que desenvolvam em seus filhos: auto-estima, capacidade de trabalhar perdas e frustrações, filtrar estímulos estressantes, dialogar e ouvir.
Pais que tenham tempo, mesmo que o tempo seja muito curto. Pais que joguem menos golfe, futebol e se sentem para conversar com os filhos, descobrindo-lhes o mundo íntimo.
Pais que não se preocupem somente com festas de aniversário, ténis, roupas, produtos eletrónicos. Mas que também se preocupem em dialogar.
Pais que sabem que não devem atender todos os desejos dos seus filhos, pois isso os tornará fracos, dependentes.
Pais que dêem algo que todo o dinheiro do mundo não pode comprar: o seu amor, as suas experiências, as suas lágrimas e o seu tempo. Em suma: um autêntico processo de educação, em que o filho aprende que amar é o maior dos tesouros.
E não haverá de se tornar infeliz somente porque não tem a roupa de griffe, ou não conseguiu viajar ao exterior nas férias.
Será alguém que se preocupa não somente consigo mesmo, mas com o seu semelhante.
Alguém que reconhecerá a grande diferença entre ter coisas e ser uma pessoa útil à comunidade, um cidadão honrado, um homem de bem.
É possível que você diga que trabalha muito e não tem tempo.
Contudo, faça do pouco tempo disponível, grandes momentos de convívio com seus filhos. Role no tapete, faça poesias. Brinque, sorria. Conheça-os e permita que eles o conheçam.
Lembre-se, por fim: seus filhos não precisam de um super-homem, de um executivo bem sucedido, de um empresário muito rico. Para eles não importa se você é médico, professor, administrador de empresa, copeiro, enfermeiro.
Importa, sim, o ser humano que você é e que os ensinará a ser.

Bons hábitos no uso do dinheiro começam cedo


Crianças devem ser orientadas pelos pais sobre como lidar com finanças, aprender a fazer escolhas e que gastos exigem esforço

Por Mariana Flores

“Eduque as crianças e não precisará punir os homens” é um ditado aplicável à vida financeira, segundo orientam especialistas em finanças pessoais. É na infância que as pessoas adquirem os hábitos que irão ditar a relação com o dinheiro pelo resto da vida. Por isso, os pais devem adicionar esse ensinamento aos demais.
Daniel Santana negociou com os pais maneiras de ajudar em casa e, assim, juntar dinheiro para adquirir bens. Foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
Aproveitar datas tradicionais (aniversário, Dia das Crianças, Natal) para presentear os filhos pode ser uma boa escolha para começar essa orientação. Dar muitos presentes ou atender a todos os pedidos dos filhos não é bom negócio.

“A criança tem que fazer escolhas. Os pais devem dizer: você quer isto ou aquilo? Isto e aquilo não pode. É preciso educar financeiramente, como fazem ao orientar a criança a estudar ou a praticar esportes. Maus hábitos na infância permanecem”, afirma o especialista em educação financeira Álvaro Modernell, autor de cinco livros voltados para as crianças – o sexto, com o título Quero ser rico, será lançado no mêsque vem.

“Não tem por que o pai se endividar para dar um bom presente para o filho. Quem não tem muito dinheiro pode fazer um passeio ou dar um brinquedo mais barato, ou aproveitar para brincar com a criança”, orienta Modernell. Os pais têm que dar um bom exemplo. “Pais consumistas ou que se endividam para comprar algo supérfluo, ou que compram por impulso, vão passar essa mensagem para os filhos. E os pais têm que ensinar a se planejar.”

A idade certa de começar a educar é quando a criança começa a pedir pelas coisas. “Os pais têm que mostrar que tudo exige um esforço, que dinheiro não cai do céu”, afirma a educadora financeira Silvia Alambert, gestora do projeto Money Gamp no Brasil – um programa norte-americano voltado para a educação financeira de crianças.

A jornalista Janete Saud ensinou que o consumismo exagerado não é sadio, mas algumas atitudes de seu filho Daniel, de seis anos, ultrapassam as orientações dos pais. “Explico que ele não tem que comprar o que não precisa, que não pode ser muito consumista, mas algumas coisas ele faz por si só. Ele sempre traz troco de todo dinheiro que lhe damos”, conta. E Daniel aprendeu a lição, além de saber poupar – há poucos dias, perguntou à mãe como poderia fazer para ganhar dinheiro. Ao ouvir a resposta de que só se ganha dinheiro trabalhando, não teve dúvida. Procurou uma ocupação. Esporadicamente, promove bazares para vender os brinquedos que não utiliza mais. Na última sexta-feira, arrecadou R$ 69,50 com os negócios. Mas decidiu que quer uma ocupação regular e vai trabalhar passeando com os cachorros de seus vizinhos.

Daniel Santana de Freitas também já descobriu uma forma de gerar renda. Aos 10 anos, negociou com os pais maneiras de ajudar em casa e, assim, juntar dinheiro para adquirir os bens que deseja. Atualmente, ganha R$ 1 a cada vez que arruma sua própria cama nos fins de semana. Outra tarefa é ler uma página de livro por dia: assim, ganha mais R$ 1. Com esses “bicos”, ele consegue agregar mais recursos à sua mesada, de R$ 20. E sabe gastar bem o próprio dinheiro, conta a mãe, a militar Rita de Cássia Gouveia de Santana. “No início do ano, ele comprou um Playstation de R$ 500. Agora, voltou a economizar, o que é bom, porque vê que dinheiro não dá em árvore. Quando entra em uma loja de brinquedos, ele mesmo faz as contas se vale a pena ou não comprar.”

Uma boa estratégia é dar mesada ou semanada, orientam os educadores financeiros. “Dar dinheiro toda hora é deseducar, porque a gente não recebe dinheiro toda hora, recebemos uma vez por mês. Tem que mostrar como funciona o dia a dia das pessoas”, ensina Silvia Alambert. O valor, de acordo com ela, deve ser calculado de acordo com as necessidades reais da criança. E brinquedos só devem ser dados nas datas comemorativas. Se a criança os quiser em outros períodos do ano, deve utilizar o dinheiro que possui em poupança. E, se a mesada acabar antes do período, os pais não devem completá-la. A criança precisa saber se programar, atenta a educadora. “A criança tem que entender que, se gastar tudo de uma vez, vai ficar sem dinheiro para o resto do mês”, diz Silvia.

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br

O simples e o encantar


Por Claudinet Antônio Coltri Júnior

Muitas vezes ficamos atrás de coisas mirabolantes para podermos encantar as pessoas ou clientes. Quando estamos interessados em alguém, muitas vezes nos pegamos pensando em planos estratégicos (sem metodologia, obviamente) para sermos percebidos, ao menos olhados. Na hora da verdade (momento do encontro), nada dá certo. As pernas tremem, a pressão cai (ou sobe muito) e, no fim, se tudo der certo, vai ser de um jeito que a gente nem esperava.

Com as organizações acontece quase a mesma coisa. Ouvimos cada vez mais a regra do “encantar o cliente”. Muitas vezes essas empresas adotam a política Cebolinha (aquela dos planos infalíveis contra a Mônica que nunca dão certo). É prêmio pra lá, vantagens pra cá, mas, como diz o outro, na hora do “vamos ver”, na avaliação final, o resultado é pífio. Por que será?

Na verdade estamos perdendo a essência dos relacionamentos. Estamos padronizando o ser humano. Damos importância aos cargos, à vestimenta, à profissão e esquecemos, muitas vezes, que todos nós não passamos de meros seres humanos (embora alguns ainda tentem não atingir este patamar e, para isso, treinam a vida inteira para se colocar na posição de animal irracional). Quando fiz faculdade de odontologia, tinha um professor de endodontia (tratamento de canal) que dizia que a maior satisfação da vida dele era abrir o canal do dente das pessoas ricas e com posição social de status. Primeiro porque ele “lavava a égua” de ganhar dinheiro com elas. Depois e principalmente, segundo ele, porque o odor fétido saído do canal era o mesmo das pessoas mais humildes.

O fato é que as pessoas colocam máscaras quando estão sob a carcaça de seu cargo ou posição social. No fundo, todos nós tomamos banho, temos necessidades fisiológicas, precisamos nos alimentar, temos que dormir. Nada há de diferente. Fico muito intrigado nos aviões, por exemplo. As(os) comissárias(os) passam servindo as “maravilhas” de lanches, pratos e bebidas, servidas hoje em dia com a maior cerimônia. Falam a mesma coisa por mais de 40 grupos de poltronas (mais de vinte de cada lado). Toda uma formalidade que não faz mais jus nos tempos atuais. Acho que poderiam economizar a voz, até. Era só gravar a fala e, a cada vez que forem se dirigir a algum passageiro, basta apertar o play para ouvirmos: “o senhor aceita bebida? E o senhor, aceita?”.

Infelizmente isso não encanta mais ninguém. Precisamos parar de nos portamos no atendimento como robôs ou caixas eletrônicos. Aliás, a única diferença entre caixa eletrônico e o atendimento feito por uma pessoa é que aquele não tem vontade própria, de modo que nunca diz não a você por seu bel-prazer. O que está programado é feito, o que não está não se faz. Com gente, é diferente. Basta um pouquinho de poder e lá vem “não” pra cima de você.

Decididamente o encantamento não está nas “mirabolâncias”, mas na simplicidade. O ser humano precisa de afago, de uma mão amiga. Você não vai para o seu emprego para passar o dia cumprindo tarefas. As empresas existem porque seres humanos precisam daquilo que ela produz. Se você tem um emprego é porque alguém precisa do resultado do seu trabalho. Assim, o mais importante é ajudar o outro naquilo que ele precisa, dando-lhe atenção humana. O encantamento (ser lembrado sem estar presente) está no simples, no que é a essência, no detalhe que, como diz Roberto e Erasmo, permite que o tempo transforme todo amor em quase nada (e se é quase nada é porque ainda, vez ou outra, se é lembrado).

Assim, tire as máscaras, as armaduras, seja você o tempo todo. Seja humano. Encante com o que você tem de bom. Faça o simples, o essencial, estreite os laços. Faça o improvável que, de tão natural e porque ninguém faz, encanta. É mais ou menos o que diz Lula Barbosa na composição de Amauri Falabella, Brincos: “eu só visitei as estrelas pra te encantar, / eu só visitei as estrelas pra te contar / como era lindo o teu olhar / visto de lá”.

Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br – E-mail: junior@coltri.com.br – Twitter: http://twitter.com/coltri

Elogio demais faz mal aos filhos, dizem pesquisadores


por Michelle Achkar

Ficar repetindo que seu filho é brilhante e talentoso pode provocar efeito totalmente contrário ao desejado. A informação é um balde de água fria nos pais que, por uma mistura de instinto com teorias de educadores, acreditam incentivar bons resultados, aumentando a autoestima dos pequenos.

Análise conduzida pela pesquisadora Carol Dweck, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, sobre 150 pesquisas sobre elogios feitas ao longo de 15 anos, revelou que estudantes elogiados em excesso tornam-se avessos a riscos, esforçam-se menos e são menos motivados. Estudantes com os QI (Quociente de Inteligência) mais altos da turma atingiram resultados abaixo dos obtidos pelos com os de QI menores após ouvir que eram brilhantes pouco antes da prova. Outro estudo feito com 400 crianças na cidade de Nova York mostrou que elas tiveram resultados 20% menores em testes após ouvir a frase “Você deve ser boa nisso”.

Estudos da American Association for Psychological Science também mostram que os elogios não ajudam a obter melhores posições na carreira, nem diminuem violência ou alcoolismo. Esses são apenas alguns dos dados que embasam a tese do livro Nurture Shock (Choque na Criação), dos educadores norte-americanos Ashley Merryman e Po Bronson, que analisaram mais de 200 mil páginas de pesquisas em publicações científicas. Com isso eles querem provar que o subtítulo do livro é a mais pura verdade. “Why everything we think about raising our kids is wrong” (Por que tudo o que sabemos sobre criar nosso filhos é errado). O livro ainda não tem tradução para o português, mas pode ser encontrado nas livrarias brasileiras.

O principal ponto que a dupla combate é um dos 10 tópicos do livro: o excesso de elogios que hoje predomina na relação entre pais e filhos, que tem origem na teoria da profecia autorrealizadora, da década de 1970, que propõe que o que foi dito irá (ou tem grandes chances) de acontecer.

No caso de Ashley, a teoria comprovou o que ela já vivenciava na prática. Fundadora de um centro de auxílio a crianças em Los Angeles, ela não via seus elogios surtirem efeitos positivos. “Quando descobri o que os elogios realmente fizeram, fiquei horrorizada. Trabalho com crianças carentes falando para elas ‘Você é maravilhosa!’. E quando li os efeitos disso, fiquei atônica, senti raiva. Pensei ‘por que ninguém me falou isso antes?'”, disse em entrevista ao jornal inglês The Times.

Nurture Shock quer provar que, apesar do instinto de amar e proteger os filhos, a maioria das ações dos pais em relação ou diante dos pequenos é “poluída de um pot-pourri de desejos, tendências morais, modismos, histórico pessoal e psicologia ultrapassada’.

Os cuidados com as crianças são extremamente vulneráveis à má ciência e a falsos profetas porque os adultos são ansiosos a ponto de abraçar qualquer conselho que esteja na moda. Essa foi a conclusão de um dos autores, Po Bronson, que, ao parar de fazer elogios o filho a todo momento usando frases feitas como “Você é ótimo” ou “Estou orgulhoso de você”, percebeu que era ele, e não a criança, quem sentiu alívio. “Percebi que usava as frases como forma de expressar meu amor incondicional, como se fosse um tipo de panaceia para as ansiedades dos pais modernos”, afirmou à publicação britânica.

Equilíbrio
Mas a recomendação passa longe de adotar postura severa e crítica o tempo todo. Diz que os elogios devem ser limitados, sinceros e mais sobre os esforços feitos do que pelas conquistas. Essa é a visão do professor de psicologia do desenvolvimento Lino de Macedo, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo). “É preciso buscar um equilíbrio entre o negativo e o positivo: ou é marcação cerrada ou superproteção. Os dois extremos apresentam problemas”, afirmou.

De um lado, a criança que nunca foi criticada ou não ouviu muitos “nãos” pode tornar-se arrogante, não conseguir ouvir críticas e ter dificuldades no reconhecimento do outro ou apresentar autoestima baixa e mostrar-se frágil. “Se os pais só fazem afirmações bacanas, independentemente do que o filho fez, a imagem que fica desse comportamento é a de que tudo é possível, permitido, tudo o que ele faz é bom e maravilhoso, que ele é nota 10, ‘gostosão'”, disse.

O especialista diz que as crianças não têm referências e precisam ser proibidas, corrigidas, impedidas e respeitar limites, sempre que necessário. “Mas há pais que só dizem ‘não’, apontam o que os filhos fizeram de errado ou não atenderam às expectativas. Essas crianças podem se tornar adultos ressentidos, pois nunca foram elogiadas.”

Além de buscar equilíbrio, ao apontar o que a criança fez de errado, deve-se dar explicação dentro de uma perspectiva positiva e de maneira que o pequeno entenda. Macedo aponta ainda que a colocação deve ser feita em relação à coisa ou ao ato e não diretamente à criança. “É preciso dizer que está bravo com o que ela fez e não com ela”, afirmou.

Para o professor da USP, esse monitoramento constante tem como principal resultado a sensação de que os pais se importam com a criança, seja com as coisas boas ou ruins que ela fizer.

Outras teorias
Além de combater o excesso de elogios gratuitos feitos aos filhos, os autores Ashley Merryman e Po Bronson também atacam outras teorias em alta na educação das crianças.

Entre elas estão a de que pedir a um adolescente que seja grato pode ser a causa da sua infelicidade; que programas de TV educativos podem ensinar às crianças como se tornar um praticante de bullying mais sofisticado; e que colocar pessoas de raças diferentes numa mesma sala de aula não ajuda a diminuir o racismo.

“Esse livro corrige muitas bobagens que vêm sendo incutidas na sociedade há mais de 100 anos. Não quisemos pôr lenha na fogueira, mas ampliar a visão dos fatos. Se o livro tornar as pessoas céticas em relação às iniciativas educacionais, então ótimo”, afirmou Po ao The Times.

Especial para Terra (www.terra.com.br)

Se beber não dirija se dirigir não beba


 

Cuidados com o carro para ter uma viagem tranqüila


Tema:Off-Road
Autor: Redação 360 Graus
Data: 19/10/2009

Se manter o veículo em boas condições de rodagem na cidade é essencial para a segurança, esse cuidado se torna ainda mais importante na hora de sair de férias. “Checar os itens básicos do carro antes de pegar a estrada evita que imprevistos atrapalhem a sua viagem. Além de envolver percursos mais longos e com o veículo geralmente carregado, é comum o motorista enfrentar caminhos que não conhece e situações que exigem tanto dele quanto da máquina”, lembra Reinaldo Nascimbeni, da área de Serviço ao Cliente da Ford.

Fazer as revisões recomendadas no manual do proprietário é o primeiro passo. Mas o motorista também precisa estar atento para alguns pontos que devem ser inspecionados rotineiramente no veículo, seja no posto ou em casa, para detectar qualquer anomalia ou desgaste irregular que possa comprometer a sua eficiência e segurança, principalmente antes de seguir viagem.

Eis alguns itens que não devem ser esquecidos:

  • Cheque o nível de óleo do motor e os filtros de ar e de óleo, fazendo a troca se necessário. Verifique a água do radiador, com o motor frio, e também se as correias não estão desgastadas ou com excesso de folga.
  • Verifique se as velas estão limpas e com os cabos em bom estado.
  • Complete a água do reservatório do limpador de pára-brisa e verifique se o sistema não está entupido. Algumas gotas de detergente neutro podem ser adicionadas na água para remover oleosidade. Confira também se as palhetas estão gastas e precisam ser substituídas.
  • Verifique se há lâmpadas queimadas nos faróis, lanternas e sinalizadores para garantir a visibilidade noturna e também o estado dos fusíveis.
  • Calibre os pneus – sem esquecer do estepe – com a pressão recomendada no manual. Mas faça essa checagem com os pneus frios. Quando os pneus estão aquecidos, o ar dentro deles se expande e altera a medição. Verifique também o desgaste da banda de rodagem. Se a profundidade dos sulcos estiver abaixo de 1,6 milímetro, está na hora de trocar. Pneus “carecas” tendem a derrapar, principalmente em pista molhada, e aumentam o espaço necessário para a frenagem. Em toda troca ou rodízio de pneus, estes devem ser balanceados para evitar trepidações e desgaste irregular. Pelo mesmo motivo, faça o alinhamento da direção, principalmente se sentir a direção pesada ou puxando para um lado.
  • Ruídos acima do normal ao brecar o veículo, ou pedal baixo, indicam desgaste das pastilhas e lonas de freio. Faça a revisão desses componentes e também dos discos e do sistema hidráulico. O fluido de freio deve ser trocado a cada dois anos para evitar a contaminação por água, que danifica os componentes metálicos.
  • Teste também a condição da suspensão. Um modo simples de verificar se está na hora de trocar molas e amortecedores é empurrar os cantos do carro para baixo e soltar em seguida. A carroceria deve voltar à posição original e parar. Se balançar mais de duas vezes, o componente está gasto. Molas e amortecedores devem sempre ser trocados aos pares: os dois da frente ou os dois de trás.Comportamento seguro

    Tão importante quanto manter o carro em bom estado é o motorista adotar um comportamento seguro ao volante. Pesquisam mostram que a maioria dos acidentes nas rodovias é causada por falhas humanas. Por isso, lembre-se:

  • Use sempre o cinto de segurança e peça para os passageiros do banco de trás fazerem o mesmo.
  • Não ultrapasse a capacidade de carga permitida do veículo, nem obstrua a visão traseira e dos espelhos retrovisores com bagagem.
  • Manter os faróis baixos acesos, mesmo durante o dia, aumenta a visibilidade e é um fator adicional de segurança que ajuda a prevenir acidentes.
  • Em caso de neblina, use somente farol baixo, ou farol de neblina.
  • Não viaje com sono. Nesse caso, retarde a viagem e faça um repouso. Prefira alimentos leves antes e durante a viagem e faça uma parada a cada duas horas para relaxar.
  • Se for dirigir, não beba. O álcool reduz os reflexos e aumenta o risco de acidentes, além de acarretar multas severas para quem infringe a lei.
  • Mantenha uma distância segura dos veículos à frente e só ultrapasse nos locais permitidos, com boa visibilidade.
  • O que aconteceu com as brincadeiras tradicionais?


    Atualmente a famosa frase “Sai da rua menino!” precisa ser modificada para “Vai para rua menino!”. E sem exageros em muitas e muitas famílias, os filhos ficam dentro de casa, na frente do vídeo game ou do computador, sem se lembrar das demais brincadeiras tradicionais de sempre, o que por um lado é muito ruim, afinal de contas, as brincadeirinhas tradicionais estimulam na imaginação, e também proporcionam um contato maior com as crianças de diversas faixas etárias.

    Hoje em dia ouvir falar de pular corda, soltar pipa, andar de bicicleta, brincar de bolinha de gude, ciranda cirandinha, pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, cabra-cega, queimada, gato mia, enfim, é uma relíquia sem igual. Obviamente que lugar de crianças não é na rua, ou fora de casa todos os dias, mas precisa haver um equilíbrio.

    Desta forma, as crianças estão se tornando cada vez mais fechadas, sem falar que a grande maioria são tomadas pela timidez por nunca terem contato pessoal com diferentes pessoas. Faça com que seu filho também dê valor para as antigas brincadeiras, pois é necessário, até mesmo para a saúde dela.

     

    As profissões mais bem pagas


    Revista Veja

    Desejo de ficar rico pode não ser um critério determinante em testes vocacionais, mas é prudente saber quais são as perspectivas financeiras de uma profissão antes de investir nela tempo e dinheiro. Um dos estudos mais completos sobre salários é o da Fundação Getulio Vargas. Com base nele, foi elaborado o ranking desta reportagem. O critério utilizado para revelar os campeões da remuneração foi o salário médio de cada profissão em todo o país. Algumas variáveis tendem a puxar os valores para cima. Entre elas, viver nos estados do Sudeste e em metrópoles. Para ganhar bem, no entanto, não basta escolher uma das carreiras que encabeçam a lista. “Médicos, advogados e engenheiros podem ter bons salários na média, mas mesmo eles não vão muito longe sem vocação, competência e um bom nível de conhecimento profissional”, diz Marcelo Ferrari, consultor sênior da área de capital humano da Mercer, em São Paulo. Ou seja, de nada adianta optar por direito, sonhando em ser um dia um juiz com ótimo salário inicial, se não se tem gosto pelo estudo das leis, pelo debate de ideias e pela leitura. Outra regra que vale para todas as profissões: rendimentos mensais de seis dígitos são privilégio de muito poucos. Guiar-se por eles na escolha da profissão possivelmente levará a incômodas decepções no futuro. Por mais competente que alguém seja e por mais que se empenhe na carreira, há sempre no percurso uma infinidade de condições que ajudam a chegar ao topo – ou atrapalham. Aliar-se com as pessoas certas, ter bons chefes, deparar com as oportunidades no momento ideal, atuar em um setor de atividade que subitamente cresce em relevância econômica – enfim, há circunstâncias que, em geral, não podem ser previstas e quase sempre têm impacto na evolução profissional. “Por isso, o melhor é não ficar enjaulado em uma carreira: aprenda outras atividades e tenha sempre um plano B”, diz César Souza, presidente da consultoria Empreenda, de São Paulo.

    Há três caminhos que, em geral, levam a bons salários. O primeiro é procurar vagas nas empresas líderes de cada setor, pois costumam ser as que mais crescem e, portanto, as que oferecem as melhores oportunidades e pagam melhor. Um analista financeiro júnior que começa ganhando mais que a média de mercado em uma empresa pequena, por exemplo, pode demorar até sete anos para ser promovido. Em uma companhia líder, em quatro anos, em média, ele já passa a ocupar o cargo de analista sênior, com um salário maior. O segundo caminho, válido para profissionais liberais, é conquistar bons clientes e assumir a propriedade do próprio nariz. Os médicos, arquitetos e advogados mais bem-sucedidos (leia-se, com os melhores rendimentos) quase sempre atendem em consultório ou escritório próprio. O terceiro caminho é optar por carreiras do serviço público com bons salários iniciais, como fiscal da Receita Federal ou juiz.

    Para ganhar bem, não se pode parar de estudar nunca. A pesquisa da FGV acrescenta novas comprovações à já consolidada tese de que o investimento em educação aumenta salários e reduz a possibilidade de desemprego. A taxa de ocupação entre os brasileiros em idade ativa que nunca passaram de um ano de estudo é de 60%. Entre os que estudaram dezoito anos ou mais, 91% têm trabalho. Quanto aos salários, cada ano de estudo adicional representa um aumento médio de 15% no valor recebido no fim do mês. O ideal, portanto, é não ficar só no diploma universitário. Cursos de especialização e pós-graduação fazem diferença no contracheque de carreiras em que o conhecimento técnico é essencial, como medicina e análise de sistemas. “Uma experiência sólida no exterior, seja acadêmica, seja profissional, também influencia positivamente no nível salarial e no rumo que a carreira toma”, diz Renato Bagnolesi, headhunter da Robert Wong Consultoria Executiva. Trata-se de um investimento com um alto retorno na vida pessoal. Afinal, um bom salário costuma ser diretamente proporcional à satisfação no trabalho.
    Revista Veja > Edição 2138 / 11 de novembro de 2009

    Profissões 2

    Como nasce uma vocação


    profissão

    Revista Veja

    Gênios como o compositor Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) ou o físico Albert Einstein (1879-1955), que parecem ter sido modelados no útero materno para seguir o seu caminho profissional, não somam nem 5% da população. Para a esmagadora maioria das pessoas, a escolha da área em que se formar e trabalhar é um processo marcado por dúvidas e, consequentemente, angústia. Dá para evitá-las? Sejamos claros: não. Mas é possível atenuá-las e sair do impasse mais rapidamente, ao ter em mente que, para escolher sua carreira, você deve levar em conta não só suas habilidades, mas o interesse despertado pelas atividades a elas relacionadas e o sentimento de realização que a sua prática pode proporcionar. Um contraexemplo: por motivos neurológicos, quem tem inclinação para a música costuma apresentar facilidade com números. Daí a afirmar que músicos, portanto, gostam de resolver problemas de cálculo vai uma longa distância. Ou seja, vocação é expressão de uma aptidão, sim, mas desde que concretizada com prazer e criatividade. Como ela nasce? “Da combinação entre a genética, pois os genes determinam a propensão para atividades específicas, e o ambiente em que se cresceu”, diz o médico Abram Topczewski, neuropediatra do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

    É na infância, principalmente, que as bases biológicas das habilidades são estimuladas e esculpidas, afirma o neuropediatra Mauro Muszkat, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo. A família e a condição socioeconômica têm um peso enorme nesse processo. Quanto mais espaço a criança e o jovem tiverem para experimentar e expressar seus gostos, tanto melhor. A atriz Alessandra Negrini, de 39 anos, teve essa liberdade. Em sua família não há nenhum ator, mas, quando pequena, ela gostava de brincar de teatrinho com os amigos. Na juventude, Alessandra cursou jornalismo, logo abandonado, e fez dois anos de ciências sociais na Universidade de São Paulo. Lá, ao estudar as teorias do sociólogo alemão Max Weber (1864-1920), decidiu, como ela mesma diz, ouvir seu coração: “Quando li o texto de Weber sobre o desencantamento do mundo, imediatamente pensei: ‘O que eu quero é encantar!’”. Ressurgiu, assim, a menina teatral. Alessandra largou a USP e passou a se dedicar integralmente à arte dramática. O período na universidade, contudo, não passou em branco. “Ainda uso muito do que aprendi na hora de compor os personagens que interpreto”, afirma a atriz.

    Sem ambiente favorável, não há como as aptidões genéticas florescerem – e, para ficar no lugar-comum, também nesse caso as exceções só confirmam a regra. Conforme a área, existem períodos na infância mais propícios para dar início ao desenvolvimento de determinadas habilidades (veja o quadro). Mas se há mais de uma aptidão, e com graus de interesse semelhantes, como reconhecer aquela a ser levada em conta no momento de cravar uma profissão? “Aí pode entrar em cena o orientador, que tenta aclarar o panorama para o jovem. Os resultados, em geral, são bons”, diz Yvette Lehman, coordenadora do Laboratório de Orientação Profissional da Universidade de São Paulo (veja reportagem na pág. 158). Por último, mas não menos importante, a análise do potencial retorno financeiro da carreira a ser seguida. Trata-se de um item que deve figurar entre as preocupações do candidato a profissional de sucesso. Os especialistas advertem, contudo, que esse não deve ser o aspecto mais relevante. “Inclusive porque as profissões promissoras de hoje talvez não se concretizem como tais amanhã”, lembra o pedagogo Silvio Duarte Bock, diretor do Nace Orientação Vocacional.

    Revista Veja > Edição 2138 / 11 de novembro de 2009

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