Archive for julho, 2010

Especialização precoce – o vilão do futebol?


A aplicação do treinamento intensivo para jovens atletas pode acarretar em malefícios para a criança como, por exemplo, uma formação escolar deficiente

João Baldoino de Almeida Neto

Resumo:

Uma questão bastante discutida e refletida nos meios acadêmicos é a especialização esportiva precoce. Apesar de haver uma grande evolução nessas pesquisas, nota se claramente que a maioria dos profissionais que trabalham com o futebol tem optado por uma metodologia imediatista, ou seja, buscando resultados á curto prazo, mesmo que isso acarrete em uma especialização precoce. A partir da problemática exposta, este estudo tem como objetivo verificar e analisar sobre especialização precoce no futebol, abordando os inúmeros riscos causados a vida das crianças.

Introdução:

A atividade física é muito recomendada principalmente desde a infância. Com a evolução do mundo desportivo, muitas vezes encontramos profissionais direcionando atividades com especialização precoce.

Em todo o mundo, existe preocupação com alternativas para o trabalho de atividade desportiva para jovens. Na verdade, as crianças e os jovens merecem uma atividade desportiva a sério, fundamentada, orientada e dirigida corretamente nas suas práticas de aprendizagem de iniciação e de competição. (PAES, 1997)

Mesmo com muitos estudos referentes à pedagogia esportiva, têm se notado que os profissionais de Educação Física não estão respeitando as individualidades, as maturidades biológicas e o desenvolvimento motor das crianças para obterem sucesso à curto prazo, mesmo que isso possa acarretar problemas futuros a essas crianças, como a especialização precoce. (NETO, 2008)

Quando utilizamos uma metodologia voltada a busca de resultados à curto prazo, dificilmente obteremos um iniciação adequada. Apesar disso, deparamos com muitos ou praticamente todos os treinadores nas escolinhas e divisões de bases usando essa metodologia ultrapassada.

Há quem diga que essa metodologia imediatista (tecnicista) é eficaz para descobrir novos talentos esportivos, por isso a especialização esportiva precoce vem sendo cada vez mais usada por professores e treinadores em clubes e escolas. Nos clubes, nas chamadas categorias de base o que mais acontece é a especialização precoce. Onde técnicos maltratam seus atletas por erros cometidos, pais xingando, frases agressivas entoadas pela torcida e seções de treinamento exaustivas, muitas vezes incompatíveis com a continuação dos estudos dos atletas.

A maioria dos treinadores tem usado essa metodologia imediatista por acharem que descobrirá muitos jogadores talentosos, mesmo sabendo que os danos serão maiores que os benefícios. Portanto, se os responsáveis pelas divisões de base dos clubes estivessem preocupados em desenvolverem atividades que contribuam para o desenvolvimento integral das crianças teria uma maior probabilidade de encontrar novos talentos.

A especialização esportiva precoce vem sendo cada vez mais usada por professores em clubes e escolas. Isso reflete a busca de treinadores e de instituições por mais status na sociedade e uma melhor afirmação de seus nomes.

Especialização precoce – o vilão do Futebol?

Antes de discutirmos sobre os aspectos negativos da especialização precoce precisamos definir o que vem a ser esse vilão dos esportes.

A especialização precoce é uma sobrecarga física imposta a jovens atletas que ainda não estão preparados para receber tais cargas de treino, e assim muitas vezes são acometidos de lesões crônicas que impedem que os atletas possam dar continuidade a prática do futebol.

Para Kunz (2001) o treinamento especializado precoce no esporte acontece quando crianças são introduzidas, antes da fase pubertária, a um processo de treinamento planejado e organizado de longo prazo e que se efetiva em um mínimo de três sessões semanais, com o objetivo do gradual aumento de rendimento, além de participação periódica em competições esportivas.

Treinamento intensivo precoce ou especialização esportiva é o período onde adotam-se programas e métodos de treinamento especializados. É quando a criança faz, sistematicamente, um único tipo de esporte e encontra aulas que não são diversificadas. Implica ainda em competições regulares, aprimoramento técnico dos fundamentos, assim como do conhecimento tático e o desenvolvimento das capacidades físicas direcionadas para o rendimento esportivo. (SANTANA, 2001)

Na mesma concepção Kunz (2001), diz que especialização precoce é o termo utilizado para expressar o processo pelo qual crianças tornam-se especializadas em um determinado esporte, mas numa idade não apropriada para tal. A prática especializada das habilidades de um determinado esporte, sem a prática das atividades motoras, quase sempre traz como consequência o abandono prematuro da prática esportiva.

A especialização precoce é definida como uma prática intensa, organizada e regular para crianças antes das idades normais, aplicando treinos inadequados, onde utiliza-se sistemas de treinos dos adultos em crianças. Em consonância Paes (1997, p. 29) aborda muito bem como deveria ser tratado o esporte:

“O desporto infantil não deve ser orientado para se fazer campeões, pois este é o objetivo das competições para os adultos. Obrigar as crianças a ser campeã é obrigar as crianças a trabalhar numa fábrica e exigir-lhe rendimento”.

A partir de agora serão abordados os malefícios da especialização precoce. Os maiores problemas que um treinamento especializado precoce provoca sobre a vida da criança e especialmente sobre seu futuro após encerrar a carreira esportiva, como, formação escolar deficiente, a unilaterização de um desenvolvimento que deveria ser plural e é reduzida a participação em atividades, brincadeiras e jogos do mundo infantil, indispensáveis para o desenvolvimento da personalidade da criança. (KUNZ, 2001)

Mais problemáticos do que prejuízos a saúde, são os problemas de ordem psíquica. Estes se manifestam e se tornam mais graves, especialmente, em casos onde houve desilusões, fracassos e até mesmo pela falta de talento para a modalidade ou para o próprio esporte em geral. Quando isso acontece os atletas se sentem excluídos e podem levar a anos de martírio. (KUNZ, 2001)

Muitos param de jogar por se sentirem pressionadas, rotuladas, inseguras, lesionadas e não conseguem esquecer a terrível experiência. E pior do que isso elas passam anos se dedicando a um determinado esporte e abandonam. Saindo do mesmo esgotada emocionalmente e inseguras, levando para o futuro possíveis conseqüências.

Há também casos onde médicos ortopedistas pedem para alguns pararem de jogar por causa de lesões nos joelhos, no tornozelo, na coxa, arrancamento de tendões junto à inserção óssea e até mesmo fraturas, devido a criança não apresentar maturação óssea equivalente, pois tem que tratar urgentemente (NEGRÃO, 1980, apud LEITE, 2006). Não podemos mais aceitar técnicos realizando treinamentos em longos períodos e atividades extenuantes que possam causar tais lesões.

Para Voser (2007.) a prática intensa de um esporte competitivo ocasiona uma especialização precoce e traz possíveis riscos em quatro grandes áreas que são riscos de tipo físico, psicológicos, motrizes e riscos de tipo esportivo.

Para os autores os riscos físicos detectados nas crianças foram problemas ósseos, articulares, musculares e cardíacos. Nos riscos de tipo psicológico nas crianças competidoras foram encontrados níveis anormalmente altos de ansiedade, estresse e frustração, também há casos de talentos promissores que se sentem martirizados internamente por fracassos desilusões resultantes de maus resultados em competições, além da conhecida “infância não vivida”, onde deixa de participar das brincadeiras e jogos do mundo infantil e uma formação escolar deficiente. Já nos riscos do tipo motriz a especialização precoce ignora os objetivos educacionais que vários esportes podem oferecer que é o enriquecimento motor. No risco esportivo, pode ser que estará se especializando em uma prática esportiva para a qual ela não tem as mínimas condições especiais exigidas.

Conclusão:

A partir das abordagens acima pudemos ter noção de como muitos ou a maioria dos treinadores e professores estão despreparados. Não se importando com o desenvolvimento integral das crianças, apenas estão preocupados com o status que possa vir a adquirir nesta sociedade capitalista, caso torne sua equipe campeã de alguma modalidade ou se porventura descobrir algum talento esportivo.

O esporte passa a ser utilizado “demagogicamente, para atender as nossas ambições de técnico, bem como às ansiedades de pais, submetendo crianças a terríveis pressões, fazendo com que poucas se tornem atletas, mas muitas percam a infância”. (NISTA-PICCOLO, 1999)

É inaceitável o esporte entrar na vida de uma criança apenas com os referencias de competição e rendimento, fazendo-a persegui-los a qualquer preço. Fomentar entre crianças a idéia de que só a vitória é importante, é incoerente. A criança precisa perceber a importância de saber lidar com as diferenças, e quem aprende que só a vitória tem valor, poderá não saber lidar com as nuanças, valorizar a busca, o esforço próprio, respeitar o outro, interagir, cooperar, rever pontos de vista. (SANTANA, 2001)

Os profissionais do esporte e professores de educação física devem conhecer as etapas a serem seguidas na iniciação/especialização esportiva para que não causem problemas aos jovens, desde uma especialização precoce a traumas que podem perdurar por toda vida do atleta. (NETO, 2008)

A especialização esportiva se tratada de forma correta ajuda no desenvolvimento das crianças em várias esferas, no aspecto social que é estabelecido entre relações com outras pessoas e com o mundo, na filosófica que através da compreensão e questionamento do mundo, no biológico conhecendo, dominando e utilizando seu corpo, e no intelectual que auxilia no desenvolvimento cognitivo. (RAMOS e NEVES, 2008)

Na iniciação/especialização desportiva os treinadores devem proporcionar as crianças um leque amplo de atividades diversificadas em que o jogo e a exercitação sejam realizados de forma a não prejudicar os períodos de crescimento, realizando atividades recreativas, e um programa rico em pequena organização, de ligeiro formalismo, que favoreça à criança um clima facilitador da demonstração da aprendizagem considerada em períodos de curtas atividades em uma semana, duas semanas e que podem assumir as características de jogo-treino, torneios amigáveis, torneios por convite, provas combinadas, tendo a socialização como principal objetivo desses jogos que é muito importante para o desenvolvimento da criança. (PAES, 1997)

Apesar de haver uma grande evolução nas pesquisas e um consenso razoável na área esportiva de que essa especialização precoce submete a crianças a risco consideráveis e pode acontecer ao longo da temporada às crianças desistirem ou se afastarem do esporte. Esses fatos por si só já bastariam para contestar a especialização precoce, porém, ainda há muita resistência por parte dos professores e treinadores. (LEITE, 2007)

As crianças podem e devem participar das escolinhas de futebol desde que as atividades propostas desenvolvam as habilidades propícias à idade em que se encontram, onde essas atividades devem ter caráter lúdico. Os Jogos Desportivos Coletivos traz muitos benefícios a vida das crianças, além de ser um meio de integração social, ele ensina inúmeros valores como a cooperação, respeito às regras, disciplina, respeito ao próximo e aumento do vocabulário motor.

Referências bibliográficas:

KUNZ, Elenor. Transnsformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí-SP: ED. UNIJUI, 2001.

LEITE, Werlayne Stuart Soares. Da alienação à estupidez: Especialização precoce e os danos causados à criança. Anais do 3° Congresso Científico Norte-nordeste – CONAFF, Fortaleza, 2006.

LEITE, Werlayne Stuart Soares. Especialização precoce: os danos causados à criança. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 12 – N° 113 – Outubro de 2007.

NETO, João Baldoino de Almeida. Jogos coletivos na educação física escolar. Hortolândia, FAEF-UNASP, 2008.

NISTA-PICCOLO, Vilma Lení (1999). Pedagogia dos Esportes. Papirus: Campinas.

PAES, Roberto Rodrigues. Aprendizagem e competição precoce: o caso do Basquetebol, 3.ed. – Campinas, SP : editora da UNICAMP, 1997.

RAMOS, A.; NEVES, R.. A Iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da teoria da complexidade – notas introdutórias. Pensar à prática. Goiânia, 11 20 03 2008.

SANTANA, Wilton C. Futsal: metodologia da participação. Londrina: Lido, 2001.

VOSER, Rogério da Cunha. A criança submetida precocemente no esporte: benefícios e malefícios. Arquivo disponível on-line em http://www.futsalbrasil.com.br

Futebol: Atuação de jogadores em campo pode trazer lições de ética às crianças


por Ceres Araujo

” Pessoas que fazem alarde da própria violência, que não têm controle sobre seus impulsos e que abusam de sua agressividade merecem, de verdade, a expulsão, não somente de jogos, mas das chances e benefícios do convívio com os demais. Jamais poderão ser vistos como líderes ou modelos de identidade para nossos filhos” Na época da Copa do Mundo, mesmo as pessoas que não apreciam tanto o futebol, se veem envolvidas no clima de torcida e no clima de festejos que cercam os jogos. Álbuns de figurinhas, “cards”, bandeiras, cornetas, camisetas: nunca o verde-amarelo foi tão cultuado. Os jogadores de futebol passam a ser considerados ídolos, principalmente pelas crianças.

Quem são esses ídolos? Quem são essas pessoas que estão servindo de modelos de identidade para nossos filhos? São aqueles que, como o Messi da Argentina distribui parte de seus ganhos para instituições que amparam crianças em seu País ou são aqueles que se gabam que a violência contra o adversário é justificável ou que se sentem acima da ordem e da lei?

Levamos anos para começarmos a nos livrar daquela ideia maléfica de que o brasileiro é aquele que dá um jeitinho em tudo, que é malandro, que é esperto e que sempre leva vantagem (às custas dos outros, é lógico), ideia propagada, coincidentemente por outro jogador de futebol, há tempos.

A televisão tem mostrado jogadores fazendo faltas sobre faltas, muitas intencionais, tem mostrado jogadores que, propositadamente chutam, não a bola, mas pisam ou chutam seus, no momento, adversários, em lugares do corpo precisos, que podem inutilizá-los para sempre como jogadores. Isto é maldade pura, é falta de lealdade e é falta de caráter. Pais precisam apontar isso para seus filhos. Devem aproveitar essas cenas, tão repetidamente mostradas na televisão, para exemplificar o que não pode ser feito em nenhuma situação e nem em nenhum momento da vida.

Jogos não podem ser ganhos com deslealdade, violência e maldade. Basta lembrar o exemplo do time brasileiro de futebol, no seu último jogo na Copa do Mundo. Da mesma maneira, na vida nada se ganha com deslealdade, esperteza e violência.

Pessoas que fazem alarde da própria violência, que não têm controle sobre seus impulsos e que abusam de sua agressividade merecem, de verdade, a expulsão, não somente de jogos, mas das chances e benefícios do convívio com os demais. Jamais poderão ser vistos como líderes ou modelos de identidade para nossos filhos.

É necessário que os pais expliquem para seus filhos o que significa expulsão em jogos de futebol. Devem mostrar que expulsão é fazer sair à força, é expelir, é excluir vergonhosamente do grupo. É um castigo que se aplica para atos desonrosos, na classe, na escola, no trabalho, nos esportes, enfim na vida.

O ser humano não é perfeito, sabe-se que errar é humano, mas é necessário que se aprenda com seus próprios erros. Aprender com seus próprios erros é assumir a responsabilidade pelo que se fez de errado e é buscar comportamentos reparadores frente à pessoa, grupo ou situação que foi prejudicada com o erro nosso.

É exatamente o oposto do que assistimos nos comentários dos jogadores após alguns jogos, na Copa do Mundo. Eles não assumem a responsabilidade por seus erros. O problema é sempre projetado fora, no outro, o que faz com que eles, “coitadinhos” ainda se coloquem como vitimas de injustiças! Nossos filhos não podem assistir essas declarações passivamente. É fundamental que os pais ajudem as crianças a desenvolverem um espírito crítico frente a essas desculpas imorais. Ética precisa ser ensinada e vivida junto a nossos filhos. Aproveitem essas imagens e ensinem o que não pode e não deve ser feito!

Fonte: Vya Estelar  –  http://www2.uol.com.br/vyaestelar/

UIRAPURU/MT se prepara para mais um campeonato de nivel nacional


A Associação Atlética Uirapuru, uma das escolinhas de futebol mais tradicional de Cuiabá esta de viagem marcada para a cidade de Jataí / GO aonde irá participar da 1ª Copa Eco Thermal Jataí – GO, evento organizado pela  WM Show de Bola. A delegação segue para o evento com 4 (quatro) categorias. A competição será realizada no período de 16 a 23 de Julho de 2010. A Escolinha do Uirapuru tentará repetir o feito de  2009 aonde conquistou um título de nível nacional com os garotos da categoria 97 (sub-12), campeonato realizado na cidade de Nova Londrina/ PR

Reflexão


Mauro Vallim

Por que não cobramos os nossos políticos com o mesmo entusiamo que cobramos os técnicos da seleção brasileira?

Longe de defender o Dunga. Arrogância não é uma característica que me atrai nas pessoas. Mas aí vem a dúvida, será que somos realmente patriotas?

Será que o amor pela nossa pátria acontece somente de quatro em quatro anos?

Se fôssemos  exigentes da mesma forma com nossos prefeitos, governadores e presidente, assim como somos em relação a nossa seleção o Brasil com certeza seria outro.

Além do mais, nós escolhemos os nossos governantes por meio do nosso voto. Temos essa responsabilidade. E eles nos devem satisfação. Já o técnico da seleção brasileira é definido sem a nossa opinião. Talvez por isso o Dunga não esteja nem aí para ela.

Assim, vamos parar de ficar hostilizando o tecnico e alguns jogadores da seleção brasileira e cobrar mais de nossos politicos, estes sim tem a obrigação de fazer pelo país e prestar toda e qualquer satisfação a sua nação.

Rumo a eleição 2010 – vamos fazer nosso Brasil ser campeão